Mostrando postagens com marcador dicas leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas leitura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Leia o Jornal Luz No Mundo !

Queremos fazer uma super recomendação! Você já conhece o Jornal Luz No Mundo?!

 
O Jornal Luz No Mundo, que já está na sua quinta edição, é um jornal interdenominacional de cunho cristão que acredita no fortalecimento do Corpo de Cristo para que possamos realmente ser Luz nesse mundo. O jornal tem como objetivo levar informações de qualidade ao público cristão, trazendo a tona assuntos do cotidiano muitas vezes ignorados em nossos púlpitos. Desta maneira, gerando o debate e a reflexão sobre os assuntos de relevância de nosso tempo.
Entre as matérias que já chamaram a atenção, estão assuntos como: pedofilia, abuso sexual, crack, pornografia e a depressão. 

E a última edição aborda os temas: o drama do idoso muitas vezes abandonado pela família, o bullyng na igreja e o nosso papel no cuidado com o meio ambiente.

Leia On-line no site: www.issuu.com/luznomundo ou peça a sua edição impressa através do e-mail: jornalluznomundo@gmail.com.

O Jornal Luz No Mundo é distribuído nas maiores igrejas de Curitiba. Por ser interdenominacional, ele é entregue em igrejas tradicionais, históricas, pentecostais e neo-pentecostais. Ainda pode ser encontrado em algumas livrarias, cafeterias e consultórios.
São 5 mil exemplares impressos, e mais uma média de 400 distribuídos por e-mail em PDF. Porém, muitos desses que recebem por e-mail também repassam para seus contatos.
O Jornal Luz No Mundo também fica on-line no site www.issuu.com/luznomundo permanentemente.

Incentivo você que possui um negócio, é autônomo, ou trabalha em uma empresa que tem interesse em publicidade, a conhecer e anunciar no Jornal Luz No Mundo !  
Para anunciar entre em contato pelo telefone: (41)9833-0364 com Jefferson Turbay.
Solicite uma visita e tenha o exemplar impresso!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"O que Jesus faria?" - Recado aos cristãos


"Vende tudo o que tens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu; então vem, e segue-me."


“Porém o moço não estava disposto a sofrer até esse ponto. Se, para seguir o Mestre, era-lhe necessário sofrer assim, deixava de segui-lo, continuando a observar os mandamentos da lei mosaica. Desejaria acompanhar o Salvador, mas não estava preparado para renunciar aos bens materiais.

(...)
É verdade que as igrejas de hoje, as igrejas que trazem o nome de Cristo, se recusariam a segui-lo, se tivessem de passar por renúncias, sofrimentos, sacrifícios e prejuízos? (...) as igrejas são compostas, em sua maior parte, de homens e mulheres mais preocupados com suas próprias comodidades do que com os sofrimentos, necessidades e misérias da humanidade. Até onde isso é verdade? Estarão os cristãos de nosso país prontos a pôr à prova sua fé? E aqueles que possuem grandes fortunas, estarão dispostos a usá-las como Jesus as usaria? E os homens e mulheres abençoados com grandes talentos estarão decididos a consagrá-los à humanidade, como Cristo sem dúvida o faria?


Não acreditam que, se cada um dos cristãos deste país seguisse os passos de Jesus, a sociedade, o comércio e até mesmo nossa política e nosso governo seriam de tal modo transformados que o sofrimento humano seria reduzido ao mínimo? Qual seria o resultado, se todos os membros desta igreja tentassem fazer o que Jesus fez? Não é possível dizer com pormenores qual seria o efeito, mas é fácil afirmar e é verdade, já comprovada, que imediatamente o problema humano começaria a encontrar uma solução mais adequada.


Qual é o padrão da conduta cristã? Não é hoje o mesmo que foi no tempo de Cristo? Ou as circunstâncias atuais já o transformaram? Se Jesus estivesse em nosso meio hoje, Ele não chamaria alguns membros desta igreja para fazer o que ordenou ao jovem rico e não lhes pediria que abandonassem suas riquezas para segui-lo verdadeiramente? Creio que Ele faria exatamente isso, se tivesse certeza de que algum membro da igreja vive mais preocupado com suas riquezas do que com seu Salvador. Portanto, a prova da vocação cristã seria hoje a mesma que foi naquele tempo, porque 'Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre'. Creio que Jesus exigiria, e Ele de fato o exige agora, tanto sacrifício e sofrimento e abnegação de seus discípulos como quando Ele mesmo andava na terra e dizia: 'E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo.' Isto é, se alguém não desejar fazer por amor dele, não poderá ser seu discípulo.


Qual seria o resultado se nesta cidade todos os membros das igrejas começassem a fazer o que Jesus faria? Não seria fácil explicar minuciosamente os resultados disso. Mas todos sabem que certas coisas que são praticadas agora pelos membros das igrejas então se tornariam impossíveis. Que faria Jesus com a riqueza? Como faria uso dela? Que princípio regularia sua utilização? Viveria em grande luxo, gastando dez vezes mais em adornos pessoais e divertimentos do que gastaria para aliviar os sofrimentos da humanidade?

(...)
Que faria Jesus pelo grande exército de proletários, de desempregados, de desesperados que enchem as ruas, amaldiçoando as igrejas e comendo um pão amargo, conseguido à força de muito trabalho e dificuldade? Nada faria Jesus por eles? Considerar-se-ia isento de toda responsabilidade na remoção das causas de um tal estado de coisas? Viveria Ele despreocupado, entregue ao seu próprio conforto?


Que faria Jesus no centro de uma civilização de tal modo dominada pela avidez das riquezas, que as jovens empregadas nas grandes casas comerciais não ganham o suficiente para preservar a alma e o corpo, e lutam contra tentações tão terríveis que muitas sucumbem no abismo horrendo da perdição? Que faria Ele em face dessa civilização, cuja indústria sacrifica milhares de crianças, sem se importar com sua educação e sua moralidade, sem dar-lhes um mínimo de afeição? Se Jesus estivesse aqui, nada sentiria, nada diria, nada faria diante de semelhantes absurdos, conhecidos por todos os homens de negócios?


E o que Jesus faria não é o que seus discípulos devem fazer? Ele não lhes ordenou que seguissem seus passos? Quanto é que o Cristianismo de nossos dias está sofrendo por Ele? O Cristianismo de hoje precisa de mais sacrifício pessoal. Cumprem as igrejas seu dever de seguir a Jesus quando dão algum dinheiro para estabelecer missões ou prestar socorros em casos de extrema necessidade? É sacrifício para um homem que possui dez milhões dar dez mil para uma obra de beneficência? Não está ele dando alguma coisa que não lhe custou nenhum sacrifício pessoal? Não é verdade que os discípulos hoje, na maior parte das igrejas, têm uma vida egoísta, fácil, luxuosa, muito longe de qualquer idéia de sacrifício? Que faria Jesus?"O Cristianismo necessita imperiosamente em nossos dias do elemento pessoal.


'O ato de dar alguma coisa pouco ou nada significa; dar-se a si mesmo é tudo.'


O Cristianismo que desconhece a renúncia e o sofrimento não é o Cristianismo de Cristo. É urgente que cada homem cristão dedicado a negócios siga o caminho do sacrifício pessoal. A estrada de hoje é a mesma do tempo de Jesus. O grito deste século ressoa, clamando por verdadeiros discípulos, um Cristianismo novo ou, antes, o mesmo velho Cristianismo apostólico, cujos adeptos deixaram tudo para seguir literalmente o Mestre. Somente um Cristianismo assim será capaz de transformar o egoísmo destruidor destes tempos. Há, em nossos dias, grande número de cristãos apenas nominais. É necessária uma volta urgente ao Cristianismo de Cristo. Temos preguiçosa, egoística e inconscientemente seguido uma espécie de Cristianismo que Cristo não reconheceria. A quantos de nós, quando gritarmos 'Senhor, Senhor!' dirá Ele: 'Nunca vos conheci, apartai-vos de mim'? Estamos prontos a tomar a cruz? Se não estamos, se o nosso Cristianismo consiste apenas no gozo dos privilégios do culto; em ser generoso sem qualquer sacrifício, ter uma vida de conforto cercado de coisas boas e amigos agradáveis, viver rodeado de respeito e, ao mesmo tempo, evitar todo o contato com aqueles que, ao redor de nós, se acham mergulhados no pecado e marcham para a perdição: então, com toda certeza, estamos longe de seguir os passos daquele que sofreu torturas e agonias por amor da humanidade, de tal modo que o suor de sangue escorreu-lhe pela face e que sobre a cruz bradou: 'Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?'


Estamos nós prontos para viver uma vida nova? Estamos prontos para considerar nossa definição do que seja ser cristão? Que é ser cristão? É imitar Jesus. É fazer o que Ele faria. É seguir seus passos."

Trecho retirado do capítulo 31 do livro “Em seus passos o que faria Jesus” de Charles Sheldon.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Revista Época - Os novos evangélicos

A última edição da Revista Época é um dos assuntos mais comentados em vários blogs e sites evangélicos desta semana. Resolvemos colocar aqui a matéria na íntegra, seguindo vários destes blogs, para que você leitor possa julgar por você mesmo o enfoque sobre a sugerida "Nova Reforma Protestante".
Retiramos do site
Pulpito Cristão (nossos agradecimentos pela publicação) e aproveitamos para nos juntar a parte final do comentário de Leonardo Golçaves quando diz: "a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros - ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel. " Sim é um bom começo, melhor que nada, mas ainda falta muito...
_______________________________________________________________

Os novos evangélicos
Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas- e propõe uma nova reforma protestante.

Por Ricardo Alexandre
Matéria publicada na
Revista Época - edição 638

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”


Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Revista Época - edição 638

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

VÍDEOS - Rob Bell

Escritor e pastor, Rob Bell é autor da série de vídeos "Nooma", que apresenta pequenas mensagens, sempre com exemplos muito práticos, sobre a Bíblia e a vida cristã.
Rob Bell é pastor fundador da Mars Hill Bible Church em Michigan, nos Estados Unidos.
Acesse o site http://nooma.com para ver as mais de 20 mensagens (em inglês) disponíveis para download. Ou no site www.robbell.com.br e através do Youtube, você encontra todas elas já com legendas em português.

Assista ao primeiro vídeo da série AQUI

Lidando com os imprevistos - Uma reflexão


"Abrace o mistério...

Temos horror da incerteza e desperdiçamos quantidades enormes de tempo e energia tentando criar a ilusão de segurança, de controlar o incontrolável. Amaldiçoamos o inesperado, porque ele atrapalha nossos planos, e não nos damos conta de que, com freqüência, ele traz consigo justamente o desafio de que precisamos naquele momento para mudar e evoluir.

Da mesma forma, não temos paciência com o mistério. Se não podemos resolver ou provar alguma coisa, nós a ignoramos ou a desacreditamos, como se assim aquilo deixasse de ser real.

Contudo, “a vida não é um problema para ser resolvido, é um mistério para ser vivido”, como escreveu Kierkegaard. Todas as pessoas e as verdades que nos rodeiam são mistérios a serem simplesmente aceitos, incentivados, vivenciados e desfrutados. O mesmo acontece com os relacionamentos.

Os melhores participantes do mistério que chamamos “relacionamento” parecem ser as pessoas que não precisam entender tudo, que não estão querendo provar nada, apenas conhecer. São as pessoas humildes o suficiente para aceitar quando estão erradas, que não têm interesses disfarçados, que não têm pressa, que não se vangloriam quando as coisas dão certo nem transferem a culpa quando dão errado. Essas são as almas raras que conseguem manter os braços bem abertos e abraçar plenamente o mistério da vida, o mistério de amar e alegria de serem amadas.

É assim que uma árvore com raízes fortes é capaz de resistir a qualquer tempestade. Comece hoje a reforçar as raízes de seus relacionamentos. Gratidão, respeito e disciplina são três poderosas maneiras de firma-los e alimenta-los. Mas lembre-se também que mesmo as árvores mais fortes balançam quando o vento sopra. Preveja as inevitáveis incertezas, encontre lições no inesperado. As crises vêm para ajudar você em sua busca de crescimento."

- Trecho do livro “Os Sete Níveis da Intimidade” por Matthew Kelly


Faça dos imprevistos uma benção em sua vida !

"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam." I Cor. 2:9