terça-feira, 15 de maio de 2012
Com a Palavra: Bono Vox
Veja a entrevista completa!
SUPER INDICADO!!!
>> Assista aqui a entrevista de Bono Vox para o pastor Bill Hybels, transmitida para cerca de 70.000 pastores e líderes em uma Conferência em 2006. ( DIVIDIDA EM 4 PARTES):
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Parte 4:
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Abuso sexual infantil, um incômodo tabu
por Jefferson Turbay
Matéria publicada no blog O Remanescente .
Uma das descrições no dicionário para tabu é: assunto do qual não se pode ou não se deve falar. Algumas coisas viraram tabus dentro da igreja de Cristo. São assuntos não comentados, e quando isso ocorre é nítida a repulsa dos ouvintes. Mas porque algo que ocorre com grande frequência na nossa sociedade e às vezes ao nosso redor é promovido a essa categoria? Como poderemos salgar e iluminar, se nos recusamos inclusive a debater?
A cruel realidade da violência sexual infantil
O ano é 1973 e muita coisa estava acontecendo ao redor do mundo. Fim da guerra do Vietnã, o Caso Watergate, o golpe militar no Chile, Antony Hopkins se casa. Menos global, porém outro fato ocorreu, manchando com sangue esse ano.
17 de Maio. Vitória, Espírito Santo. Uma menina de 8 anos é mantida em cárcere privado por jovens viciados, de grande influência na cidade. Eles a drogam, torturam, estupram, jogam ácido em seu rosto, matam e a jogam em um terreno baldio, desnuda e com o rosto desfigurado. O nome dela era Araceli Cabrera Crespo. Até hoje ninguém foi preso.
Ano 2000. É aprovado o projeto de lei que institui o dia 18 de Maio como “Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual Infantil”. A data foi escolhida em referência ao caso citado. O caso ficou famoso, mas infelizmente não foi o único. Depois muitos outros vieram.
A cada oito minutos um menor é vítima de abuso sexual no Brasil. Os dados são da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Isso equivale a dizer que, por exemplo, nas oito horas em que dormimos 60 crianças e adolescentes têm sofrido essa violência. Ou ainda, em um dia, 180 vítimas passam pela situação.
A idade de aproximadamente 80% das crianças afetadas varia de 2 a 10 anos. Esse tipo de crime, que pelas estatísticas vemos ser freqüente, é considerado pela Constituição Federal como crime hediondo. Segundo o Manual de Prevenção ao Abuso Sexual Infantil, publicado pela organização internacional Save The Children, as crianças sofrem consequências de curto e longo prazo, que são físicas, emocionais, sexuais e sociais.
Segundo a SEDH apenas 2 % dos crimes são denunciados. Até porque a maioria deles ocorre por pais e padrastos. O perfil do agressor é de um professor, pediatra, médico, estudante, advogado, morador de rua, ricos, pobres, religiosos.
Abuso e omissão da igreja no testemunho de um cristão violentado
A Bíblia nos mostra o que a falta de atenção com um problema sério dentro do lar pode gerar. Em II Samuel 13, vemos que Amnon amou a Tamar, esse amou significa desejou-a fisicamente. Amnon e Tamar eram filhos do Rei Davi, o homem segundo o coração de Deus. Mas a falta de atenção ao que estava acontecendo dentro de sua própria casa gerou problemas seriíssimos à família. Amnon abusou da irmã, destruiu a sua vida, a abandonou apesar do clamor dela e a maldição se instalou naquele lar, um dos motivos foi inclusive a omissão do rei. Absalão matou ao agressor, e fugiu. Quando retornou também não recebeu a atenção pelo erro, ou a punição. Ele se rebelou contra o pai e também acabou morto. Vemos uma sucessão de coisas geradas pela omissão.
O testemunho que se segue é de um missionário, que optou por não revelar seu nome. É profético por ser um alerta de Deus a igreja de Cristo. É forte por ser real, e a realidade atual é forte. Mexe com sentimentos, pois causa repulsa ao ocorrido, mas ao mesmo tempo reafirma que há esperança apenas no nome de Cristo para problemas como esse. E que se estivermos à disposição para quebrar os tabus que nós mesmos levantamos e sermos instrumentos de Deus, a cura chegará.
(Remanescente) Como foi o primeiro abuso sexual que sofreu e como ficou sua vida a partir deste fato?
(M.) Aos domingos, após a Escola Dominical, meus pais me deixavam passar à tarde na casa de membros da nossa igreja. Em um desses domingos, aos 5 anos de idade fui abusado sexualmente por um jovem de 18 anos. Eu não sabia o que havia acontecido comigo, mas quando minha mãe foi me dar banho, eu reclamei as machucaduras que tinha em meu corpo, por causa das "brincadeiras" da tarde. Hoje sei os motivos pelos quais minha mãe me levou para tratamento psicológico após o acontecido. Infelizmente, meu pai (pastor da igreja) não fez muita coisa a respeito, e preferiu enterrar o assunto como se nunca tivesse acontecido, o que realmente não me ajudou! Ele já não era muito presente em meu dia-a-dia, sempre ocupado e distante da família, então meu senso de proteção e valor próprio começou a desmoronar muito cedo em minha existência.Não mais visitando famílias sozinho.
Aos 9 anos mudamos de cidade, e lembro que me senti aliviado por não ter mais que viver naquela situação. Mas adolescência chegou, e toda a minha sexualidade estava mexida e remexida. Logo, um jovem um pouco mais velho que eu me apresentou pornografia e masturbação pela primeira vez. A partir daí, descobertas sexuais tanto com homens quanto com mulheres aconteceram ao longo dos anos. A confusão permanecia em minha mente, mesmo que com todo o meu ser eu desejava ser livre dela. Buscava a Jesus no meio de toda essa bagunça! Tentava ser um bom cristão, fazendo o que a igreja requeria. Como Deus poderia me amar e me aceitar desse jeito?! Eu não sabia! Ninguém fazia idéia do que estava acontecendo em minha vida e minha família. Infelizmente, nunca achei espaço e coragem para ser honesto e procurar ajuda com alguém dentro da igreja.
Como Deus entrou em sua vida e qual foi a consequência disto?
Em 1998, tive uma revelação de que existe um adversário que quer destruir minha vida. Até aquele momento, eu rejeitava essa realidade, o que gerava em mim uma "fé duvidosa". Mas então, comecei a buscar a Deus e pedir que me libertasse das prisões do passado. Nunca abandonei minha crença em Jesus, mesmo vivendo em um "inferno pessoal", mas nunca tinha entendido o sacrifício remidor de Cristo. Em 2001, infelizmente me deparei vivendo um relacionamento sexual e de co-dependência com outro jovem. Eu sabia que estava errado, e não queria mais viver assim, então decidi buscar ajuda. Encontrei um grupo cristão de ajuda para homens que enfrentam problemas com a sexualidade. Minha jornada de cura iniciou quando entendi que Deus não deseja a minha performance religiosa, procurando perfeição para ser aceito, mas o Evangelho diz que Ele já me aceitou e me amou desde o início da minha vida. Não há nada que possa me desqualificar diante do Sangue Salvador de Cristo. Entendi que Jesus quer um relacionamento real comigo, e esse amor incondicional e sua Graça têm me sustentado na restauração da minha identidade, sexualidade e valor próprio diante de Deus e da sociedade.
Como de vítima, sem esperança, você se tornou um agente das Boas Novas?
Diante da transformação que a minha adoção como Filho de Deus gerou em mim, recebi o chamado para pregar as Boas Novas por todo o mundo. Hoje sou missionário para a expansão do Reino do meu Pai. Já estive nos 6 continentes da Terra, proclamando o Evangelho de que Jesus veio pra que tenhamos a vida, e vida em abundância (Jo10:10) porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida em si mesmo (Jo14:6)! É como Paulo escreveu: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus." 2 Cor 1:3-4
Como você acha que estaria se Deus não tivesse o resgatado?
Acho que estaria vivendo em um terrível "inferno pessoal", perturbado pelas acusações e mentiras da sociedade e do inimigo. Provavelmente derrotado e sem direção. Existindo e não Vivendo! Realmente não consigo imaginar minha vida sem a presença de um Deus, que me defende que luta por mim e me resgatou da confusão mental e espiritual em que me encontrava! Sem o relacionamento com este Deus não há esperança de mudança, de futuro, de vida plena, de Ser o que Deus nos criou para Ser!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Revista Época - Os novos evangélicos
Retiramos do site Pulpito Cristão (nossos agradecimentos pela publicação) e aproveitamos para nos juntar a parte final do comentário de Leonardo Golçaves quando diz: "a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros - ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel. " Sim é um bom começo, melhor que nada, mas ainda falta muito...
Os novos evangélicos
Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas- e propõe uma nova reforma protestante.
Por Ricardo Alexandre
Matéria publicada na Revista Época - edição 638
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.
Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.” 
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.
“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”
Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
terça-feira, 6 de abril de 2010
New Metal - Parte I
Aproveitando a deixa, nós separamos uma matéria sobre a história do new metal, com ênfase nas bandas cristãs do gênero. Quem nos deu esta breve entrevista foi o músico Wilson B. Júnior, da banda 18 Voutz, que também se apresentará no festival.
Outra característica muito peculiar do estilo é a mistura dos mais variados elementos, que vão desde o metal extremo ao reggae, passando por funk, jazz, hip-hop, música eletrônica e muito mais, tudo isso as vezes dentro de um único álbum.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Conheça melhor a Comunidade Gólgota!
"A fusão acontece naturalmente uma vez que viemos desse meio. Nós somos roqueiros que se converteram a Cristo. Portanto, não estamos nos fazendo de loucos para ganhar os loucos. Nós somos loucos, rsrsrs... Os valores que permanecem são os mesmos universalmente aceitos pela fé cristã como absolutos de Deus. Diferenciamos apenas o que é cultura nociva à fé e a vida, daquilo que é cultura passiva e que não necessariamente agride a minha fé em Cristo. Nós acreditamos que a música Rock, roupa preta, piercings, tatuagens, cabelos compridos, etc, não agridem nossa fé. Não há nenhuma imposição cultural sobre os membros da comunidade. Ninguém é obrigado a nada neste aspecto. Agora, quando estamos falando de absolutos na ética cristã, o assunto é outro. E, portanto, funcionamos como qualquer outra igreja neste mundo funciona. Não negociamos valores cristãos!"
* Nos dias 4 e 5 de julho, acontecerá o evento Metanóia. E nos dias 30, 31 de julho e 1, 2 de agosto será o Congresso Nacional Underground Cristão (C.N.U.C.) . Veja os detalhes no site e PARTICIPE!!!
texto: Paolla Grisolli
terça-feira, 10 de março de 2009
Uma novidade de fazer barulho!
Veja abaixo a entrevista que Willian Matheus, um dos idealizadores do evento, concedeu ao Attitude JC.
ATC: Quem foi o idealizador do Praise Rock?
WM:Posso dizer que os idealizadores são as próprias bandas gospel de Curitiba, e estou fazendo a linha de frente, digamos assim. Também temos algumas parcerias muito importantes , como o Anderson da Loja de Musica Rexsom, que vestiu a camisa 100%, e também o vereador e pastor Valdemir Soares, que está dando um apoio muito bom.
Temos formado uma equipe que vem crescendo a cada dia. O próprio pessoal vem se dispondo a ajudar em alguns aspectos, como Site, Merchandise, Material Visual, e Mídia.
ATC:Como surgiu a idéia do evento?
WM:Creio que surgiu de uma vontade em comum, de várias bandas e músicos cristãos de Curitiba, ou seja, ter um espaço de expressão musical e qualidade profissional na cidade. Lembro de algumas conversas que tive com uma pessoa que considero muito, o produtor e radialista Mauro Ramos, ele sempre falava sobre a questão da cidade ter uma cena, e com profissionalismo.
A ideia não é nova, algumas coisas já que marcaram a cidade nesse sentido, por exemplo o clubão semanal. Mas, no momento a cidade necessita isso, seja para um local de frequência da galera, também para saber o que rola na cidade referente ao estilo rock cristão e ponto de evangelismo através da música.
AJC: Qual o principal objetivo do evento?
WM:A meta principal é ter um espaço central, com boa estrutura de show, onde as bandas de curitibanas possam ter espaço para demonstrar seu trabalho. Também se tornando um espaço de frequência , como um point, onde as pessoas possam levar amigos, sendo também um cenário para o evangelismo feito por meio da música.
AJC: Como têm sido escolhidas as bandas que vão tocar?
WM:Não tem nenhuma seleção em especial para o evento, estamos buscando um pessoal que pensa igual a gente, que entende a necessidade de um evento assim em Curitiba, e que se dispõe realmente a vestir a camisa do evento. E é justamente por isso que falo nós no plural, porque sem o apoio destas bandas nada disso poderia acontecer, a unidade é muito importante.
Nós estamos batendo bastante na tecla de unidade, na questão de prestigiar o evento do outro, e somar, frequentar o show sempre que possa, prestigiando. Então pode-se dizer que a seleção é feita através de quem quiser "comprar a briga" independente de estilo, lógico que sem misturar estilos distintos no mesmo dia, mas pra quem quiser vestir a camisa rs...
AJC:Como foi a experiência do primeiro Praise Rock? Quando aconteceu? Onde?
WM:A primeira experiência foi bem legal, o local Ópera 1 tinha uma pendência com a Rexsom, e o Anderson gentilmente sedeu o dia pra realização do evento. Foi em 06 de dezembro de 2008. A idéia do evento não era um show em si, mas também uma festa. Por isso foi bem variado, tocaram mais de 10 bandas dos mais diferentes estilos, com a apresentação do Chico Costa e do Junior Paiva, do Curitiba Gospel.com.
O mais legal de ver, foi que a galera ficou, prestigiou, somente foi embora quem realmente não podia ficar, já que foi realizado em um sábado à tarde.
Com relação às bandas foi bem legal, o pessoal parecia estar bem feliz, assim como eu com a festa, até o Lauro que fez mesa no show, que é tecnico de som secular, da banda Reles Pública, comentou comigo sobre o evento, disse que gostou, e que gostaria de estar em mais eventos assim, foi muito gratificante.
AJC:Quando será a segunda edição do encontro e quem vai tocar?
WM:A idéia do Praise é se tornar futuramente um evento semanal, de custo de ingresso simbólico. Então já temos digamos assim, não só a segunda, mas também a terceira e quarta edições do evento.
Será 13/03 Aniversário de 8 anos da gente mesmo rs.. Sutura, e estão participando as bandas Influência, Convicção, Lucaz Balzer e Altar Pray, será uma noite mais rock.
No dia 20/03 acontece a Noite de HardCore, New Metal e Alternativo, Fator 7, Te Vejo Em Breve, Alternativa 7, Cmd5 e Terra Firme.
Na semana seguinte ,27/03, tem Noite Heavy, Decápolis, Ilumina, Twilight, Krismah e Empirios.
AJC:Onde acontecerá?
WM:Serão realizadas no Auditório do Estúdio H Mix. Rua Trajano Reis 41, Largo da Ordem, próximo ao Relógio das Flores, e Praça do Chafaris do Cavalo, no Setor Histórico.
Será cobrada entrada? Se sim, onde os ingressos poderão ser adquiridos?
Sim, nestes primeiros eventos será cobrada uma entrada de apenas R$ 3,00 . Ainda não decidimos os locais de venda de ingressos antecipados, mas tudo poderá ser conferido no blog www.flogao.com.br/praiserock , cada novidade sobre endereço de venda, será divulgado no blog é só conferir.
Para mais informações foi criado o perfil e a comunidade do evento no Orkut. "Fizemos uma comunidade do Praise Rock no Orkut, já que hoje é uma ferramenta popular no Brasil, também um perfil do Praise Rock. Qualquer informação pode ser passada pelo profile. Também pode ser enviada informações através do site www.curitibagospel.com. ", diz.
O músico deixou ainda uma mensagem para o público: Gostaria de convidar o pessoal a comparecer no evento, que venha a entender que o que Deus quer é o espírito de unidade entre todos. Para honra e glória de Deus é que fazemos isso , e também pra você ter um espaço saudável dentro do estilo que gosta, dentro de sua cidade com uma música cristã. Convide , prestigie, enfim, participe. Valeu galera de Curitiba!
Confira abaixo a programação completa para este mês de março:

Luana Gabriela
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
DE JOVEM ASTRO DO POP PARA PREGADOR DO EVANGELHO
*foto Dennys FernandoQuando era universitário, estudou e morou sozinho na Espanha, e nesta época já sofria com crises de depressão. Uma noite chegou a conversar com Deus para que sua vida fosse transformada, mas a mudança verdadeira ainda não veio. O cantor foi descoberto pouco tempo depois por um grande produtor que trabalhava com artistas reconhecidos, como Julio Iglezias, Sting e Roberto Carlos, e o levou para gravar em um estúdio em Miami. A partir daí a carreira de Chris Duran alavancou e o levou ao sucesso internacional, teve tudo o que um artista gostaria de conquistar. No Chile, após alguns anos em um show, Chris Duran se envolveu em um grave acidente com o carro em que viajava. Este foi um momento decisivo, em que quase morreu, e que fez parar tudo o que fazia e procurar sentido para viver.
Em entrevista para a revista Attitude JC, durante a ExpoCristo (julho/2008), o cantor contou sobre a maior dificuldade que enfrentou no início da sua conversão: “Foi o posicionamento e críticas que recebi de pessoas que diziam - será que o Chris Duran se converteu mesmo? -. Que vinham com um pré-julgamento. Foi bastante difícil, mas com o tempo elas começaram a ver as coisas.”
Ele ainda deixou uma mensagem para os jovens curitibanos e criticou a desunião dos evangélicos. “Que Deus possa levantar esta geração. É o meu desejo, de todo coração. Que Curitiba se levante, não com um evangelho “barato”, mas com o evangelho do poder de Deus, com compromisso e seriedade. E assim que nós possamos viver um avivamento através da unidade. Existe muita divisão e não tem como sonhar com avivamento se não houver unidade entre as igrejas.”

Para quem gosta de músicas de adoração e instrumental, o casal Alberto & Kimberly Rivera é uma boa. Quem dá esta dica é o cantor Chris Duran, ele nos conta que escuta constantemente o trabalho destes artistas americanos. Com Alberto nos teclados e Kimberly nos vocais, juntos desde 1996, o álbum Deeper Still (2007) é uma gravação feita ao vivo na Igreja Vineyard, em Albany Oregon, nos Estados Unidos. Contém várias canções espontâneas e profundas em adoração, com teclados, harpa, violino, violoncelo, flauta e bandolim.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
TRANFORMADO, RODOLFO CONTA SEU TESTEMUNHO E ABENÇOA VIDAS
Músicas, oração, testemunho e palavra estes são ingredientes presentes no show de Rodolfo. O cantor conversou com a gente logo após uma apresentação na ExpoCristo, evento que agitou Curitiba em julho de 2008.
RA - Tem que buscar cada dia mais se parecer com Jesus Cristo, porque Jesus é luz e este mundo está em trevas. Nós fomos chamados para sermos diferentes nesse mundo mesmo. Eu creio que, como a Bíblia diz você não vai acender uma lamparina e colocar debaixo da cama. Na hora que Jesus brilhar a luz dele sobre você, você vai aparecer.
AJC- Você sofreu algum preconceito por parte de seus familiares depois da conversão?
RA – Ah, no começo sim. Não tinha nenhum evangélico na minha família exceto uma tia minha que eu vim conhecer depois que aceitei Jesus. Foi um momento de muito questionamento por parte deles, mas um a um Deus foi tocando. Meu pai e minha mãe se batizaram e tem mais gente da minha família indo para Jesus e eu tenho certeza que com o tempo todos vão.

AJC- Quando a pessoa se converte e é transformada alguns amigos se afastam. Das suas amizades de antes da conversão alguma ficou?
RA – Na época pela confusão que causou muita gente desapareceu de imediato. Eu hoje moro numa cidade em Santa Catarina, todos os amigos que tenho comunhão hoje em dia são depois desta fase. Quando volto à Brasília, às vezes encontro um amigo ou outro. Tenho carinho, tenho
amor. Mas simplesmente acaba perdendo o contato, né.
AJC – Deixe uma mensagem para os jovens cristãos de Curitiba.
RA – É como aquela musiquinha “deixa sua luz brilhar” e seja quem Deus espera que você seja.
Reportagem: Luana Gabriela - luana_gabrielas@hotmail.com
Fotos: Dennys Fernando - dennysu15@hotmail.com
