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segunda-feira, 14 de março de 2011

Para Refletir...

Depois da Guerra - Oficina G3

Vejo ruínas de uma guerra
Mas uma guerra por nossas mãos
As armas foram as palavras
A vaidade, a motivação
Feridas que sangraram a alma
A fé de muitos se perdeu
Um dia irmãos, hoje inimigos
Matou-se o amor que um dia nos fez um;

Quem vencerá, uma guerra entre irmãos, uma guerra perdida?
Quem perderá, um povo escolhido, um povo ferido?

Quebradas foram as alianças
Palavras que trouxeram a divisão
Pregadas, cantadas, faladas
Por muitos que diziam ser irmãos
Feridas que sangraram a alma
A fé de muitos se perdeu
Na cruz o exemplo nos foi dados
Onde ficou o amor que nos fez um?

Quem vencerá, uma guerra entre irmãos, uma guerra perdida
Quem perderá, um povo escolhido, um povo ferido

Quem vencerá, uma guerra entre irmãos, uma guerra perdida
Quem perderá, um povo escolhido, um povo ferido
Um povo escolhido...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Abuso sexual infantil, um incômodo tabu

O testemunho de um missionário que aos 5 anos teve sua inocência roubada e o impacto que este fato teve em sua vida cristã

por Jefferson Turbay
Matéria publicada no blog
O Remanescente .

Uma das descrições no dicionário para tabu é: assunto do qual não se pode ou não se deve falar. Algumas coisas viraram tabus dentro da igreja de Cristo. São assuntos não comentados, e quando isso ocorre é nítida a repulsa dos ouvintes. Mas porque algo que ocorre com grande frequência na nossa sociedade e às vezes ao nosso redor é promovido a essa categoria? Como poderemos salgar e iluminar, se nos recusamos inclusive a debater?

A cruel realidade da violência sexual infantil

O ano é 1973 e muita coisa estava acontecendo ao redor do mundo. Fim da guerra do Vietnã, o Caso Watergate, o golpe militar no Chile, Antony Hopkins se casa. Menos global, porém outro fato ocorreu, manchando com sangue esse ano.
17 de Maio. Vitória, Espírito Santo. Uma menina de 8 anos é mantida em cárcere privado por jovens viciados, de grande influência na cidade. Eles a drogam, torturam, estupram, jogam ácido em seu rosto, matam e a jogam em um terreno baldio, desnuda e com o rosto desfigurado. O nome dela era Araceli Cabrera Crespo. Até hoje ninguém foi preso.
Ano 2000. É aprovado o projeto de lei que institui o dia 18 de Maio como “Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual Infantil”. A data foi escolhida em referência ao caso citado. O caso ficou famoso, mas infelizmente não foi o único. Depois muitos outros vieram.
A cada oito minutos um menor é vítima de abuso sexual no Brasil. Os dados são da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Isso equivale a dizer que, por exemplo, nas oito horas em que dormimos 60 crianças e adolescentes têm sofrido essa violência. Ou ainda, em um dia, 180 vítimas passam pela situação.
A idade de aproximadamente 80% das crianças afetadas varia de 2 a 10 anos. Esse tipo de crime, que pelas estatísticas vemos ser freqüente, é considerado pela Constituição Federal como crime hediondo. Segundo o Manual de Prevenção ao Abuso Sexual Infantil, publicado pela organização internacional Save The Children, as crianças sofrem consequências de curto e longo prazo, que são físicas, emocionais, sexuais e sociais.
Segundo a SEDH apenas 2 % dos crimes são denunciados. Até porque a maioria deles ocorre por pais e padrastos. O perfil do agressor é de um professor, pediatra, médico, estudante, advogado, morador de rua, ricos, pobres, religiosos.

Abuso e omissão da igreja no testemunho de um cristão violentado

A Bíblia nos mostra o que a falta de atenção com um problema sério dentro do lar pode gerar. Em II Samuel 13, vemos que Amnon amou a Tamar, esse amou significa desejou-a fisicamente. Amnon e Tamar eram filhos do Rei Davi, o homem segundo o coração de Deus. Mas a falta de atenção ao que estava acontecendo dentro de sua própria casa gerou problemas seriíssimos à família. Amnon abusou da irmã, destruiu a sua vida, a abandonou apesar do clamor dela e a maldição se instalou naquele lar, um dos motivos foi inclusive a omissão do rei. Absalão matou ao agressor, e fugiu. Quando retornou também não recebeu a atenção pelo erro, ou a punição. Ele se rebelou contra o pai e também acabou morto. Vemos uma sucessão de coisas geradas pela omissão.
O testemunho que se segue é de um missionário, que optou por não revelar seu nome. É profético por ser um alerta de Deus a igreja de Cristo. É forte por ser real, e a realidade atual é forte. Mexe com sentimentos, pois causa repulsa ao ocorrido, mas ao mesmo tempo reafirma que há esperança apenas no nome de Cristo para problemas como esse. E que se estivermos à disposição para quebrar os tabus que nós mesmos levantamos e sermos instrumentos de Deus, a cura chegará.

(Remanescente) Como foi o primeiro abuso sexual que sofreu e como ficou sua vida a partir deste fato?
(M.) Aos domingos, após a Escola Dominical, meus pais me deixavam passar à tarde na casa de membros da nossa igreja. Em um desses domingos, aos 5 anos de idade fui abusado sexualmente por um jovem de 18 anos. Eu não sabia o que havia acontecido comigo, mas quando minha mãe foi me dar banho, eu reclamei as machucaduras que tinha em meu corpo, por causa das "brincadeiras" da tarde. Hoje sei os motivos pelos quais minha mãe me levou para tratamento psicológico após o acontecido. Infelizmente, meu pai (pastor da igreja) não fez muita coisa a respeito, e preferiu enterrar o assunto como se nunca tivesse acontecido, o que realmente não me ajudou! Ele já não era muito presente em meu dia-a-dia, sempre ocupado e distante da família, então meu senso de proteção e valor próprio começou a desmoronar muito cedo em minha existência.Não mais visitando famílias sozinho.


O mal desta vez veio de dentro de nossa casa. Uma empregada que tivemos começou a me abusar sexualmente aos 7 anos de idade, envolvendo também uma adolescente de 13 anos. Após várias "brincadeiras", minha mãe descobriu o que estava acontecendo e demitiu a empregada. Mas penso que o estrago já estava feito, e uma grande confusão habitava minha cabeça! Alguns jovens da igreja, provavelmente percebendo essa "confusão" em meu comportamento e sexualidade, se aproveitaram de mim, incorrendo vários abusos sexuais de tempos em tempos por mais de um ano. Comecei a pensar que só assim os outros garotos e garotas gostavam de brincar comigo, gostavam da minha amizade! No fundo sabia que algo não estava certo, porque sempre tínhamos que nos esconder para "brincar"...
Aos 9 anos mudamos de cidade, e lembro que me senti aliviado por não ter mais que viver naquela situação. Mas adolescência chegou, e toda a minha sexualidade estava mexida e remexida. Logo, um jovem um pouco mais velho que eu me apresentou pornografia e masturbação pela primeira vez. A partir daí, descobertas sexuais tanto com homens quanto com mulheres aconteceram ao longo dos anos. A confusão permanecia em minha mente, mesmo que com todo o meu ser eu desejava ser livre dela. Buscava a Jesus no meio de toda essa bagunça! Tentava ser um bom cristão, fazendo o que a igreja requeria. Como Deus poderia me amar e me aceitar desse jeito?! Eu não sabia! Ninguém fazia idéia do que estava acontecendo em minha vida e minha família. Infelizmente, nunca achei espaço e coragem para ser honesto e procurar ajuda com alguém dentro da igreja.

Como Deus entrou em sua vida e qual foi a consequência disto?
Em 1998, tive uma revelação de que existe um adversário que quer destruir minha vida. Até aquele momento, eu rejeitava essa realidade, o que gerava em mim uma "fé duvidosa". Mas então, comecei a buscar a Deus e pedir que me libertasse das prisões do passado. Nunca abandonei minha crença em Jesus, mesmo vivendo em um "inferno pessoal", mas nunca tinha entendido o sacrifício remidor de Cristo. Em 2001, infelizmente me deparei vivendo um relacionamento sexual e de co-dependência com outro jovem. Eu sabia que estava errado, e não queria mais viver assim, então decidi buscar ajuda. Encontrei um grupo cristão de ajuda para homens que enfrentam problemas com a sexualidade. Minha jornada de cura iniciou quando entendi que Deus não deseja a minha performance religiosa, procurando perfeição para ser aceito, mas o Evangelho diz que Ele já me aceitou e me amou desde o início da minha vida. Não há nada que possa me desqualificar diante do Sangue Salvador de Cristo. Entendi que Jesus quer um relacionamento real comigo, e esse amor incondicional e sua Graça têm me sustentado na restauração da minha identidade, sexualidade e valor próprio diante de Deus e da sociedade.

Como de vítima, sem esperança, você se tornou um agente das Boas Novas?
Diante da transformação que a minha adoção como Filho de Deus gerou em mim, recebi o chamado para pregar as Boas Novas por todo o mundo. Hoje sou missionário para a expansão do Reino do meu Pai. Já estive nos 6 continentes da Terra, proclamando o Evangelho de que Jesus veio pra que tenhamos a vida, e vida em abundância (Jo10:10) porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida em si mesmo (Jo14:6)! É como Paulo escreveu: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus." 2 Cor 1:3-4

Como você acha que estaria se Deus não tivesse o resgatado?
Acho que estaria vivendo em um terrível "inferno pessoal", perturbado pelas acusações e mentiras da sociedade e do inimigo. Provavelmente derrotado e sem direção. Existindo e não Vivendo! Realmente não consigo imaginar minha vida sem a presença de um Deus, que me defende que luta por mim e me resgatou da confusão mental e espiritual em que me encontrava! Sem o relacionamento com este Deus não há esperança de mudança, de futuro, de vida plena, de Ser o que Deus nos criou para Ser!
Por isso, creio que como igreja, precisamos "rasgar o verbo" sobre assuntos como pedofilia, abuso sexual, etc., porque são situações reais e acontecem muito mais frequentemente do que pensamos, mesmo em nosso meio. Não somente falar sobre o assunto, mas direcionar para a Solução, a Resposta: A Vida EM Jesus (Gal 2:20), e AFIRMAR ao mundo de que existe Restauração. Nossas congregações estão cheias de pessoas que carregam fardos pesados por anos e buscam desesperadamente por ajuda... Ajuda em Deus, mas que precisa ser demonstrada por pessoas que possam abraçar, chorar junto, ouvir, orar e caminhar uma jornada que não é fácil, mas existe Graça Ilimitada e Disponível para TODOS (AS) que O buscam. Se hoje posso estender a mão a outros é porque um dia alguém estendeu a mão para mim. Preciso dizer que não foi fácil dar esse primeiro passo, mas penso que quanto menos tabus houver na igreja, menos muros de religiosidade e performance, mais liberdade existirá para pessoas encontrarem o Jesus Vivo, que as ama e nunca vai desistir delas, seja qual for a situação!

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"O que Jesus faria?" - Recado aos cristãos


"Vende tudo o que tens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no céu; então vem, e segue-me."


“Porém o moço não estava disposto a sofrer até esse ponto. Se, para seguir o Mestre, era-lhe necessário sofrer assim, deixava de segui-lo, continuando a observar os mandamentos da lei mosaica. Desejaria acompanhar o Salvador, mas não estava preparado para renunciar aos bens materiais.

(...)
É verdade que as igrejas de hoje, as igrejas que trazem o nome de Cristo, se recusariam a segui-lo, se tivessem de passar por renúncias, sofrimentos, sacrifícios e prejuízos? (...) as igrejas são compostas, em sua maior parte, de homens e mulheres mais preocupados com suas próprias comodidades do que com os sofrimentos, necessidades e misérias da humanidade. Até onde isso é verdade? Estarão os cristãos de nosso país prontos a pôr à prova sua fé? E aqueles que possuem grandes fortunas, estarão dispostos a usá-las como Jesus as usaria? E os homens e mulheres abençoados com grandes talentos estarão decididos a consagrá-los à humanidade, como Cristo sem dúvida o faria?


Não acreditam que, se cada um dos cristãos deste país seguisse os passos de Jesus, a sociedade, o comércio e até mesmo nossa política e nosso governo seriam de tal modo transformados que o sofrimento humano seria reduzido ao mínimo? Qual seria o resultado, se todos os membros desta igreja tentassem fazer o que Jesus fez? Não é possível dizer com pormenores qual seria o efeito, mas é fácil afirmar e é verdade, já comprovada, que imediatamente o problema humano começaria a encontrar uma solução mais adequada.


Qual é o padrão da conduta cristã? Não é hoje o mesmo que foi no tempo de Cristo? Ou as circunstâncias atuais já o transformaram? Se Jesus estivesse em nosso meio hoje, Ele não chamaria alguns membros desta igreja para fazer o que ordenou ao jovem rico e não lhes pediria que abandonassem suas riquezas para segui-lo verdadeiramente? Creio que Ele faria exatamente isso, se tivesse certeza de que algum membro da igreja vive mais preocupado com suas riquezas do que com seu Salvador. Portanto, a prova da vocação cristã seria hoje a mesma que foi naquele tempo, porque 'Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e o será para sempre'. Creio que Jesus exigiria, e Ele de fato o exige agora, tanto sacrifício e sofrimento e abnegação de seus discípulos como quando Ele mesmo andava na terra e dizia: 'E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo.' Isto é, se alguém não desejar fazer por amor dele, não poderá ser seu discípulo.


Qual seria o resultado se nesta cidade todos os membros das igrejas começassem a fazer o que Jesus faria? Não seria fácil explicar minuciosamente os resultados disso. Mas todos sabem que certas coisas que são praticadas agora pelos membros das igrejas então se tornariam impossíveis. Que faria Jesus com a riqueza? Como faria uso dela? Que princípio regularia sua utilização? Viveria em grande luxo, gastando dez vezes mais em adornos pessoais e divertimentos do que gastaria para aliviar os sofrimentos da humanidade?

(...)
Que faria Jesus pelo grande exército de proletários, de desempregados, de desesperados que enchem as ruas, amaldiçoando as igrejas e comendo um pão amargo, conseguido à força de muito trabalho e dificuldade? Nada faria Jesus por eles? Considerar-se-ia isento de toda responsabilidade na remoção das causas de um tal estado de coisas? Viveria Ele despreocupado, entregue ao seu próprio conforto?


Que faria Jesus no centro de uma civilização de tal modo dominada pela avidez das riquezas, que as jovens empregadas nas grandes casas comerciais não ganham o suficiente para preservar a alma e o corpo, e lutam contra tentações tão terríveis que muitas sucumbem no abismo horrendo da perdição? Que faria Ele em face dessa civilização, cuja indústria sacrifica milhares de crianças, sem se importar com sua educação e sua moralidade, sem dar-lhes um mínimo de afeição? Se Jesus estivesse aqui, nada sentiria, nada diria, nada faria diante de semelhantes absurdos, conhecidos por todos os homens de negócios?


E o que Jesus faria não é o que seus discípulos devem fazer? Ele não lhes ordenou que seguissem seus passos? Quanto é que o Cristianismo de nossos dias está sofrendo por Ele? O Cristianismo de hoje precisa de mais sacrifício pessoal. Cumprem as igrejas seu dever de seguir a Jesus quando dão algum dinheiro para estabelecer missões ou prestar socorros em casos de extrema necessidade? É sacrifício para um homem que possui dez milhões dar dez mil para uma obra de beneficência? Não está ele dando alguma coisa que não lhe custou nenhum sacrifício pessoal? Não é verdade que os discípulos hoje, na maior parte das igrejas, têm uma vida egoísta, fácil, luxuosa, muito longe de qualquer idéia de sacrifício? Que faria Jesus?"O Cristianismo necessita imperiosamente em nossos dias do elemento pessoal.


'O ato de dar alguma coisa pouco ou nada significa; dar-se a si mesmo é tudo.'


O Cristianismo que desconhece a renúncia e o sofrimento não é o Cristianismo de Cristo. É urgente que cada homem cristão dedicado a negócios siga o caminho do sacrifício pessoal. A estrada de hoje é a mesma do tempo de Jesus. O grito deste século ressoa, clamando por verdadeiros discípulos, um Cristianismo novo ou, antes, o mesmo velho Cristianismo apostólico, cujos adeptos deixaram tudo para seguir literalmente o Mestre. Somente um Cristianismo assim será capaz de transformar o egoísmo destruidor destes tempos. Há, em nossos dias, grande número de cristãos apenas nominais. É necessária uma volta urgente ao Cristianismo de Cristo. Temos preguiçosa, egoística e inconscientemente seguido uma espécie de Cristianismo que Cristo não reconheceria. A quantos de nós, quando gritarmos 'Senhor, Senhor!' dirá Ele: 'Nunca vos conheci, apartai-vos de mim'? Estamos prontos a tomar a cruz? Se não estamos, se o nosso Cristianismo consiste apenas no gozo dos privilégios do culto; em ser generoso sem qualquer sacrifício, ter uma vida de conforto cercado de coisas boas e amigos agradáveis, viver rodeado de respeito e, ao mesmo tempo, evitar todo o contato com aqueles que, ao redor de nós, se acham mergulhados no pecado e marcham para a perdição: então, com toda certeza, estamos longe de seguir os passos daquele que sofreu torturas e agonias por amor da humanidade, de tal modo que o suor de sangue escorreu-lhe pela face e que sobre a cruz bradou: 'Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?'


Estamos nós prontos para viver uma vida nova? Estamos prontos para considerar nossa definição do que seja ser cristão? Que é ser cristão? É imitar Jesus. É fazer o que Ele faria. É seguir seus passos."

Trecho retirado do capítulo 31 do livro “Em seus passos o que faria Jesus” de Charles Sheldon.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Marcha COM Jesus em Campo Largo, mais uma tentativa de silêncio

Publicado por Rede FALE Paraná em 24 agosto 2010.

Se a Bíblia fala sobre o dever cristão da não conformidade frente às injustiças, exploração, corrupção, se nos adverte sobre a impossibilidade de servirmos às riquezas e ao poder personificados na figura de Mamom, se reafirma constantemente a necessidade de proclamarmos os valores do Reino de Deus, por que então calaríamos?


Juntos, Rede Fale Paraná, o Monte Horebe que ajudou na impressão do informativo Construção e o EPJ - Evangélicos pela Justiça, com o mesmo propósito com que atuamos na Marcha PARA Jesus em Curitiba no dia 15 de maio, estivemos na Marcha PARA Jesus em Campo Largo, região metropolitana da capital paranaense, COM Jesus, pelo órfão, a viúva e os estrangeiros, como diziam os profetas do Velho Testamento, aos pobres e desassistidos de nossa época, pela justiça social em nossos tempos. Mais do que questionarmos o que a Marcha não é, o objetivo é procurar possibilidades para o que ela poderia ser.

Levamos cartazes pedindo perdão pelo consumismo, individualismo e pela omissão frente aos problemas sociais de nosso país. Em nossa faixa principal, aproveitamos da presença dos vários políticos e candidatos no local, para cobrar políticas públicas urgentes para a cidade:

POLÍTICOS, DIREITO NÃO É FAVOR
Tive sede e não me deram saneamento básico;
Estive doente e a saúde pública me desamparou;
Estava com fome de comida e conhecimento e não me saciaram...
Quis ir para o culto, mas o transporte público era ineficiente.
(Adaptado de Mateus 25)

Nos comprometemos a ser uma pedra no sapato das autoridades, que são servas de Deus para o nosso bem Rm 13:4, nunca para o clientelismo, esquemas e corrupção. Os ouvidos dos ricos opressores estão surdos aos clamores dos trabalhadores, como descrito em Tiago 5. Oramos para que o Senhor os desassoseguem de sua inércia e insensibilidade para com os direitos dos cidadãos (Informativo Construção, Abril de 2010).

As várias tentativas anteriores de conversa em busca de solução para problemas urgentes na cidade como transporte público ineficiente, educação e saúde pública de qualidade, saneamento básico, ou acabaram em discursos vazios, ou foram simplesmente ignoradas.
Para complicar, além do prefeito de Campo Largo, vários secretários e diretores de secretarias, vereadores e servidores públicos em cargos importantes, são EVANGÉLICOS.
Na abertura da marcha, o pastor responsável pelo evento, o senhor Ari Stroparo, diretor geral da
secretaria de assistência social, disse que a marcha NÃO ERA POLÍTICA, e que aquela era uma manifestação para “exaltar” o nome de Jesus.
Muito bem, Junto ao palco haviam carros de som e faixas do dep. André Zacarov – do candidato à dep. Estadual e ex -secretário de assuntos estratégicos e o”futuro” sucessor do prefeito, Carlos Andrade e do pastor Reinaldo, “o dep. da paz”.... e, é lógico, o prefeito teve ampla oportunidade de falar ao microfone.

Saímos Marchando... logo os “bonzãos” vieram nos “pedir” que retirássemos a faixa que cobrava políticas públicas. A Lais e a Raquel, ambas da Rede Fale Paraná estavam levando a faixa quando um brutamontes de um pastorzão a retirou das mãos delas... (Machismo? Abuso da força?...).
Quando cheguei e soube o que havia acontecido pedi imediatamente que esticássemos a faixa...

Foi muito bonito! Logo os bacanas vieram afrontar novamente:
- Vocês vão ter que tirar essa faixa, a marcha é para “jesuis”. Isso que vocês
estão fazendo é política!
- Não tiro, não tiro, não tiro!
- Tira sim! Quem é o pastor de vocês, leve-nos ao vosso líder!
- Nosso líder é Jesus!

Disse a eles que tiraríamos a faixa se eles nos trouxessem a lei que dizia que o que estávamos fazendo era ilegal, disse também que se o prefeito falasse ao microfone que se comprometeria a resolver os problemas da cidade tiraríamos a faixa...
Logo eles voltaram com um guarda municipal...

- Tá aí a lei, agora vocês vão ter que tirar! Isso é política, insistiam eles –
e começaram a arrancar a força! O guarda só olhava a coisa meio confuso, não
estava entendendo...
O Douglas disse: “se o que estiver escrito for mentira, nós tiramos”. Não souberam responder... só puderam dizer: “isso é política” - mas o pastor Reinaldo, o dep. da paz e o dep. Zacarov continuavam marchando, e ao final, muita música boa de propaganda política: “Zacarov é bom, Zacarov é bom... esse cabra é muito bom, esse cabra é muito bom...”

Como não conseguiram nos intimidar apelaram para a oração. A marcha parou e eles começaram a orar para expulsar o nosso “demônio”... Foi um sarro! Ainda mais quando um dos pastores me reconheceu de uma carona que eu tinha dado a ele meses atras, disse: “já sei quem é o teu pastor! Vou ligar e contar tudo para ele!” e saiu bufando. Um barato!

Mas, fora essa piada toda, muita gente veio conversar. Muita gente que está de saco cheio com essa palhaçada toda. Teve um pastor, o Pr. Rutimar, da comunidade Carisma, de Monte Castelo, SC, que estava lá para documentar o absurdo. Nos entrevistou, e ainda ajudou a carregar a faixa.
Além disso distribuímos a segunda edição do informativo CONSTRUÇÃO, o que provocou muito interesse da população, pois é uma ferramenta concreta de cobrança das autoridades. O panfleto tem o apoio da Rede FALE, do centro de treinamento Monte Horebe, e agora, com o apoio e parceria do EPJ, a coisa tá muito mais pra frente. Muita gente vai poder conhecer a ação de cristãos comprometidos com a verdade... O panfleto é uma doação de uma gráfica em Ctba, o dono não quer ter sua gráfica divulgada, mas disse para divulgarmos a Gráfica Solidária Monte Horebe, que é um projeto social... são 3.000 exemplares.

Washington Cruz
Douglas Rezende
Campo Largo, 23/08/10

terça-feira, 17 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Revista Época - Os novos evangélicos

A última edição da Revista Época é um dos assuntos mais comentados em vários blogs e sites evangélicos desta semana. Resolvemos colocar aqui a matéria na íntegra, seguindo vários destes blogs, para que você leitor possa julgar por você mesmo o enfoque sobre a sugerida "Nova Reforma Protestante".
Retiramos do site
Pulpito Cristão (nossos agradecimentos pela publicação) e aproveitamos para nos juntar a parte final do comentário de Leonardo Golçaves quando diz: "a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros - ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel. " Sim é um bom começo, melhor que nada, mas ainda falta muito...
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Os novos evangélicos
Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas- e propõe uma nova reforma protestante.

Por Ricardo Alexandre
Matéria publicada na
Revista Época - edição 638

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”


Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Revista Época - edição 638

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A igreja que nos afasta de Cristo

Quem nunca pensou em desistir da igreja? Quem nunca ficou cansado de discutir com líderes cabeças fechadas, uma versão piorada dos fariseus que Jesus tanto condenava? Quem nunca, em sua caminhada com Cristo, teve uma pedra no meio do caminho. Como poeticamente versou Drummond? E não era qualquer pedra não, era pedra de tropeço. Quem nunca, durante um culto, olhou em volta procurando um exemplo vivo em quem se espelhar, não de perfeição, mas de busca para tal e não achou ninguém entre os líderes. Mas sim daquele companheiro de ministério, que divide com você a conta na pizzaria.

Pois é. Eu que tenho menos de cinco anos de convertida, acreditem, já passei de tudo dentro da igreja. Mas a vida ainda consegue me surpreender. Ouvi neste final de semana um relato que negativamente me surpreendeu. Uma amiga minha, cristã há mais de 20 anos confessou: A Igreja está me afastando de Cristo. Lágrimas nos olhos, meus e nos dela. Confissões assim são duras de ouvir. Sabe o porquê é pior? Eu disse a ela: É triste. Mas temos nossa culpa. 1) Porque permitimos que o mau exemplo, ou os empecilhos com a liderança nos desanimem para fazer o que precisar ser feito. 2) Porque também fazemos parte dessa igreja (coloque qualquer adjetivo depreciativo que lhe convier) e 3) Porque Cristo às vezes passa longe do culto e das programações das quais participamos tanto.

Sejamos sinceros. O show na hora do louvor talvez não agrade a Deus, se o grupo que ministra nem ao menos orou antes do ensaio pedindo perdão por seus pecados. Talvez a palavra que você não gosta, vinda do pastor que você considera tirano, tenha edificado uma vida ou salvado uma alma naquele domingo em que você nem queria ter ido à igreja.

E o que é realmente válido para nos fazer querer mudar de igreja?
E os muitos ministérios que temos: pregar para os jovens, tocar, ministério de ação social, aulas de música, aulas de inglês, esses compromissos todos, somados às atividades corriqueiras como trabalhar, estudar, namorar, nos deixam tempo vago para ao menos falar e escutar a Deus?

Cada uma dessas perguntas deve ter uma resposta singular para cada cristão. Não vou mentir as minhas não são satisfatórias como eram antes, antes de eu conhecer como são podres aqueles que me lideram e antes de eu reconhecer que podre eu também sou sem a direção e a sabedoria a mim dadas pelo Espírito de Deus.

Viver é difícil. Viver andando com Cristo, no caminho estreito, que difere das portas largas dos templos, é ainda mais difícil.

Quando penso que terei de conviver eternamente com algumas pessoas que conheci nas igrejas penso que será muito difícil. Até, finalmente, me lembrar que elas não serão as mesmas, aliás nem seu serei.

Glória a Deus por isso.

Luana Gabriela

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Together - Juntos somos melhores


Com os objetivos de trazer a unidade ao Corpo de Cristo e de alcançar mais vidas para o Reino, o Together é um grupo de cristãos de várias denominações e ministérios que se reúne semanalmente em Curitiba.

"Nos reunimos informalmente em vários lugares da cidade de Curitiba e também virtualmente com irmãos de outras localidades. As reuniões são em museus, parques, bosques, shoppings, casas, universidades e qualquer lugar onde possa estar 2 pessoas ou mais reunidas."

Segundo Dan Queirolo, um dos idealizadores do grupo, as reuniões acontecem desde 2008 e atualmente há vários projetos e parcerias com outras igrejas em andamento.

Esta informações estão disponíveis na rede de relacionamento http://togetherbrasil.ning.com/ , que é uma espécie de "Orkut" do grupo. "Lá poderemos nos contactar facilmente com outras pessoas que tem a mesma missão, que é levar Cristo de maneira Integral a todo o mundo."

"Acesse, seja um membro e veja os eventos que estão pra acontecer, se envolva com eles, faça alguma coisa mas não fique parado sentado, indo somente assistir aos cultos nos fins de semana na sua Igreja! Se tiver idéias apresente! Cumpra sua missão, e junto com todos, alcançaremos muitas vidas com a Graça e a Salvação de Jesus Cristo!"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pastor assassinado em Chade (África Central)

Este relato foi retirado do site da Missão Portas Abertas. Acesse e conheça melhor os cristãos perseguidos.


"Pastor é assassinado, mas frutos do ministério permanecem"
3/7/2010 - Fonte: Portas Abertas

"Israel Neldita era um homem de Deus, apaixonado, do vilarejo de Miskine Banana, ao sul de Chade (país da região da África Central). Com 25 anos, ele dedicou sua vida ao campo missionário. Ele ministrava o Evangelho de Cristo Jesus para não cristãos com sucesso evidente. Israel também tornou seu dever pessoal o ensino e discipulado para recém-convertidos em sua caminhada com Deus. Ele era conhecido como um homem humilde e de oração, e sua convicção não o deixava ter medo das oposições que enfrentava.

Mas Israel encontrou seu Salvador muito antes do que todos esperavam, pelas mãos de extremistas religiosos.

As pessoas não hesitavam em lhe pedir ajuda, devido ao grande impacto que seu ministério causava nas comunidades circunvizinhas. Um dia, um certo homem pediu que Israel orasse por seu filho doente. Ele separou um tempo para orar pela cura do jovem, sem saber o vale de sombra e morte que estava se aproximando.

O pequeno grupo passou a noite sábado em dezembro do ano passado em oração e comunhão na igreja. Em certo momento, eles foram dormir. Quando o pai acordou durante a noite, ele percebeu que Israel não estava mais lá. Ele ficou surpreso, mas não ficou muito preocupado.

Na manhã seguinte, Israel ainda não havia retornado. Como sua igreja sabia dos planos de visitar o jovem enfermo, sua igreja não estranhou o fato de ele não estar no culto de domingo.

Tarde de segunda-feira, e nenhum sinal de Israel. No dia seguinte, a congregação ficou preocupada e enviou um recado para a família de Israel, avisando que ele estava desaparecido.

Um grupo de busca foi enviado para a floresta, para procurar seu irmão. As muitas horas de incerteza à procura de Israel não havia preparado o grupo para a visão com que se deparariam. Seis dias após o desaparecimento de Israel, seu corpo foi encontrado embaixo de um arbusto.

Pela aparência, o adversário de Israel não pretendia poupar sua vida. Seu rosto desfigurado, corpo torturado e ossos quebrados chocou as testemunhas. O corpo foi enterrado no mesmo local.

Israel deixou para trás sua esposa, Neloumta Clarisse, e seus dois filhos Eunice 4 anos, e Davi, 2. Quando a Portas Abertas soube do acontecido, enviou uma equipe para apoiar a família e levar encorajamento.

Apesar de Neloumta estar sofrendo pela perda de seu marido e preocupada com o futuro, ela permanece firme em sua fé. “Continuem a orar por mim e por meus filhos, pois sou uma mãe sozinha. Estou feliz porque o Senhor me ajudará a viver tal experiência para a sua glória”.

A notícia sobre o assassinato de Israel se espalhou rapidamente, mas a reação da comunidade cristã surpreendeu os aldeões. Os cristãos não quiseram vingança. Eles sentiram que a mensagem da morte de Israel falou mais alto aos cristãos e não cristãos do que os ensinos que ele fez. A vitória e a esperança substituíram a morte e o desespero.

“A disposição de Israel de permanecer firme em sua fé apesar do preço que ele teria que pagar, encorajou muito os cristãos. Ele recebeu a principal recompensa: de estar com Jesus no céu, e isso ameniza a dor e a perda que nossos irmãos sofreram.”

Pedidos de oração:

• Ore pela provisão de Deus na vida da esposa e filhos de Israel.

• Ore para que Deus abençoe e guie o pai e o irmão de Israel, que assumiram seu ministério. "

terça-feira, 1 de junho de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Para Refletir - Vivendo em unidade

"Hoje, ao assistir a uma partida de basquete dos insuperáveis Harlem Globetrotters, pensei na unidade de uma equipe como o alicerce da vitória e na veracidade do versículo de Mateus (nas palavras de Jesus) sobre o que ocorre quando, contrariamente, não existe união: “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 12: 25).

De fato, todo time vencedor é fundamentado na unidade e as pessoas devem procurar viver de modo semelhante. Em uma outra ocasião Jesus afirmou, em oração, que os homens precisavam ser um entre si, assim como ele era um com o seu Pai. E ele mesmo intercedeu por nós: “Que sejam um como nós somos um” (Jo 17: 11).

Este é justamente o nosso desafio: construir as pontes e vínculos entre nós e as pessoas do nosso convívio (nossos familiares, amigos e conhecidos) para que os nossos relacionamentos sejam semelhantes a uma equipe vencedora em todos os aspectos.

Isso não é algo fácil de se conseguir. A busca da unidade requer muito de nós, tanto no sentido da responsabilidade de amar o próximo em todas as ocasiões, quanto no nosso empenho na edificação em si, ora na superação das barreiras que nos separam uns dos outros (e no consequente prevalecimento do perdão), ora no exercício de liderança para com os necessitados de apoio, orientação e direcionamento, de modo que a nossas atitudes sejam exemplo para os que nos cercam.

Os benefícios da nossa postura excedem as dificuldades que possamos enfrentar. É somente por meio da unidade que as crises são superadas, os embates solucionados e os objetivos comuns alcançados, o que também demonstra amadurecimento da parte dos que se mantêm unidos não importando as circunstâncias. Acima de tudo, é por meio da vida em unidade que agradamos o Pai e nos colocamos em acordo com a sua vontade para nós. Isso, além de nos fazer sentir bem e seguros, dá-nos a sensação de missão cumprida, a primeira etapa na nossa caminhada como agentes de transformação.

Fique na Paz, "
Ap. Rina - Pastor da Igreja Bola de Neve
* Recebi esta mesagem no e-mail do "Fala Pastor" , para receber estas mensagens em seu e-mail cadastre-se no site da Igreja Bola de Neve .

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Deliverance Bible Church - DBC Curitiba

Há um novo grupo no underground cristão de Curitiba. Desde outubro de 2009, a Deliverance Bible Church está em nossa cidade com a simples proposta de evangelizar, escutar e amar os perdidos. Ou seja, atender ao chamado que temos todos nós cristãos.

Conheça um pouco mais sobre o início da DBC:

"Iniciado em 1999 pelos pastores Cleetus e Nichole Adrian(USA), DBC é uma igreja orientada para alcançar os marginalizados e os esquecidos com o firme mensagem de Jesus Cristo.
O coração da DBC têm sido sempre o de alcançar esta geração com a verdade última apenas encontrada na Palavra de Deus, a Bíblia - Uma profunda dependência em relação à presença e funcionamento do Espírito Santo - Salvação só através de arrependimento e total confiança em Jesus - Uma relação íntima com Deus como Pai .
Nosso sonho é de ter uma DBC nos quatros cantos do país!"
- fonte: DBC Facebook

Contato:

Em Curitiba:
Encontro todos os sábados no Museu Oscar Niemeyer.
Às 15 horas.
Para mais informações sobre a DBC em Curitiba mande e-mail para: andrebelletti@hotmail.com .


Em breve mais notícias sobre a DBC em Curitiba.

segunda-feira, 15 de março de 2010

VÍDEOS - Rob Bell (Kickball)

"Deus não responde as suas orações?..."

Assista a mais um vídeo da série Nooma, com o pastor Rob Bell.
Aproveite estes 10 minutos para refletir sobre a sua relação com o Pai.

(Veja o vídeo aqui; clique no "play" abaixo.)

(ver no Youtube)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Você pode orar por eles?

"Ouve, Senhor, e tem misericórdia de mim; Senhor, sê tu o meu auxílio." Salmo 30.10

"Creio que essa fala de Davi transmite o sentimento e o clamor dos cristãos perseguidos, e também de nós, cristãos livres. Ela demonstra a aflição em que o nosso coração se encontra quando percebemos que o Senhor é realmente nossa única esperança e auxílio, e que isso é o suficiente.
No entanto, há uma diferença para nós, cristãos livres: nós podemos ser o instrumento que Deus usa para abençoar os cristãos perseguidos em sua aflição.
Como? Através da nossa oração. Em todo o Salmo, Davi declara quais são as consequências de se ter o Senhor como auxílio: "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" e "mudaste meu pranto em festa".


Você pode ser usado por Deus para abençoar a vida de muitas pessoas. Nos dias 5, 6 e 7 de março (próximo final de semana), acontecerá o Shockwave, um evento de mobilização mundial em que os cristãos livres se unem para orar em favor dos cristãos perseguidos.
Para mais informações, acesse o site http://www.odshockwave.org/index.php/br ou envie e-mail para underground@portasabertas.org.br.
Faça sua parte e interceda pelos irmãos perseguidos!"

- Deborah Stafussi - Editora da Missão Portas Abertas

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

SHOCKWAVE - A Onda de oração está chegando!‏

O SHOCKWAVE é uma onda de oração que acontece anualmente no primeiro final de semana de março.
Essa onda reúne jovens de todo mundo para orarem pelos cristãos que estão sendo perseguidos por causa da fé.
Durante o evento, em mais de dez países do mundo, em todos os continentes, jovens se reúnem para orar formando, por causa dos diferentes fuso-horários, uma onda gigante de oração. Isto é SHOCKWAVE !

SHOCKWAVE vem sendo realizado desde 2001 com cada vez mais adeptos!
Em 2009 só no Brasil tivemos mais de 800 grupos de jovens reunidos para orar. Batemos o recorde de mais de 50 nações juntas orando pela Igreja Perseguida.
Em 2010 queremos causar um impacto ainda maior. Você pode fazer parte disso. Aceita o desafio?


Então já marque a data do SHOCKWAVE 2010: 5 a 7 de março.
Fale com sua liderança, mobilize sua igreja, seus amigos.
Não fique de fora dessa grande onda!

ACESSE O SITE E FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO! VOCÊ TERÁ DISPONÍVEL UM MATERIAL ESPECIAL PARA TE AUXILIAR DURANTE O EVENTO.



Mais informações
mande e-mail para underground@portasabertas.org.br

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

VÍDEOS - Rob Bell

Escritor e pastor, Rob Bell é autor da série de vídeos "Nooma", que apresenta pequenas mensagens, sempre com exemplos muito práticos, sobre a Bíblia e a vida cristã.
Rob Bell é pastor fundador da Mars Hill Bible Church em Michigan, nos Estados Unidos.
Acesse o site http://nooma.com para ver as mais de 20 mensagens (em inglês) disponíveis para download. Ou no site www.robbell.com.br e através do Youtube, você encontra todas elas já com legendas em português.

Assista ao primeiro vídeo da série AQUI

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Missão Portas Abertas - Valorizando Cristo acima da nossa própria vida‏



"Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus." Atos 20.24

Quando falamos sobre perseguição religiosa não há como não lembrar do apóstolo Paulo. Como fariseu, ele era um dos principais perseguidores dos cristãos. É maravilhoso ver a transformação de um homem que era assassino dos cristãos afirmar que a própria vida não tinha valor se não vivesse por aquele a quem antes perseguia. Olhando para a vida de Paulo e de nossos irmãos perseguidos nos dias de hoje, penso em como eles são exemplo de transformação, fidelidade e força. São irmãos que deixam um legado e um exemplo de como é valorizar Cristo e o evangelho acima da própria vida. Que você e eu possamos aprender mais com eles.

Deborah Stafussi
Editora

Veja as notícias em destaque na semana:

Morre pastor presidente da Liga Evangélica de Cuba
CUBA (33º) - Faleceu no dia 25 de outubro de 2009, aos 49 anos, o pastor Alejandro Nieto, um dos principais responsáveis pelo crescimento da Igreja no país. Muito tempo depois de iniciar seu ministério, o pastor deixa um grande legado espiritual para a nação, e será lembrado por muitas gerações...

Escreva em favor de duas cristãs iranianas
IRÃ (3º) - A Portas Abertas Internacional iniciou uma campanha de Ações Institucionais em favor das cristãs iranianas Maryam Rostampour e Marzieh Amirizadeh Esmaeilabad, presas no dia 5 de março, acusadas de "propagar a fé cristã" e "apostasia". Peça às autoridades em favor delas...

VAMOS ORAR
Mustapha Krim, um dos líderes da Igreja Protestante da Argélia, está com problemas sérios nos ombros e nas costas. Ore para que o tratamento médico funcione bem e para que ele continue sua grande obra juntamente com outros líderes.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Notícias de nossos irmãos da Igreja Perseguida


Vamos interceder pelos cristãos indianos‏


"Nós, porém, [...], sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação." 1 Tessalonicenses 5.8

Nenhum soldado entra em uma batalha desarmado, sem nenhuma proteção. Nós, que somos parte do exército de Deus, também devemos nos preparar para enfrentar qualquer tipo de situação e adversidade. Mas, como está escrito em Efésios, nossa luta não é contra a carne, portanto, nossas armas também não são carnais. O que, então, devemos usar? Devemos nos proteger com a fé em Jesus, sendo nossa ferramenta de ataque o amor, e proteger nossa mente com a esperança. A esperança de vermos cumprida em nós a salvação eterna de nosso Senhor. Vamos orar para que nossos irmãos lá de longe ou aqui de perto sejam revestidos com essa armadura poderosa!

Em Gaza, as escolas públicas impuseram um novo código de vestimenta para as alunas, baseado na sharia (lei islâmica). As meninas e jovens que voltaram às aulas souberam que agora devem usar jilbab, túnicas tradicionais islâmicas de manga comprida, e cobrir o cabelo, ou não poderiam entrar nas salas de aula.
Na Etiópia, os cristãos da igreja Kale Hiwot têm sofrido com diversas injustiças cometidas pelas autoridades. Em março, a igreja recebeu uma ordem de demolição. Depois, encontrou muitas dificuldades para conseguir um novo local de culto. Agora, a prefeitura pede que o terreno seja devolvido para o proprietário original. Ore para que esses cristãos ganhem o processo, e possam cultuar ao Senhor em segurança.
Na Índia, extremistas hindus atacaram os cristãos que permaneciam em um campo de refugiados na vila de Bodimunda. Embora o ataque tenha sido interrompido pela polícia, os cristãos temem novos crimes e estão fugindo do local. Ore para que a situação seja estabilizada.
A campanha em favor dos cristãos de Orissa continua. Acesse a página especial e saiba como ajudar nossos irmãos. Participe também da campanha de oração que se iniciou domingo, 6 de setembro, e vai até sábado, dia 12. Vamos juntos interceder pelos cristãos indianos.

Deus te abençoe e te guarde,

Deborah Stafussi - Missão Portas Abertas


PS: Agora você pode interagir diretamente com a equipe da Missão Portas Abertas. Visite nosso blog, leia os textos e deixe seu comentário.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vila Jardim União - Ame, ore e ajude!

A Vila Jardim União já foi indicada como um dos locais mais arriscados para se viver em Curitiba (veja na matéria da Gazeta do Povo/2008). E não é difícil entender o porquê. É uma área de invasão próxima a BR 277, no bairro Cajuru, marcada pela pobreza e violência, gerada pelo tráfico de drogas.

Em meio a esta realidade, que poucos conhecem ou tem coragem de enfrentar, também há uma pequena igreja onde pessoas humildes têm encontrado o amor de Deus e a esperança que necessitam. Na Congregação da Igreja Quadrangular Jardim União há vários testemunhos impactantes. São pessoas que sobrevivem à violência do local e seguem firmes no propósito de servir a Cristo.


O casal de pastores, Janita e Alécio, são os líderes desta igreja. Há culto de jovens aos sábados à noite, escola bíblica dominical aos domingos pela manhã, culto familiar nos domingos à noite, além dos cultos de oração durante a semana.

A igreja também realiza um trabalho de ação social junto a comunidade, que precisa urgente de assistência em todas as áreas. Mas muitas vezes, sobra vontade e faltam os recursos. Sem assistência de Órgãos ou Instituições, a ajuda lá é totalmente voluntária, já que os pastores também não são bem amparados financeiramente e sofrem dificuldades.
Por esta razão, além de sua oração em favor destes irmãos, nós pedimos a sua COLABORAÇÃO.
Há pessoas na Vila Jardim União precisando de COMIDA e AGASALHO.
Se você estiver interessado em fazer uma doação, com o que puder, entre em contato pelo telefone 41-9128-1824.

A congregação também espera pela sua visita e está aberta a ajuda. Seja através de trabalhos evangelísticos ou de ações sociais.
O que estas pessoas mais precisam, em primeiro lugar, é do seu AMOR.
Você consegue fazer isto?




texto: Paolla Grisolli
fotos: Claudia Salles

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conheça melhor a Comunidade Gólgota!

Faz 8 anos que a Comunidade Gólgota existe com o propósito de alcançar o povo mais underground da nossa cidade para Jesus Cristo. Com esta missão, de levar o Evangelho para as Tribos Urbanas, principalmente os rockeiros, as músicas do louvor e as mensagens do pastor Pipe são, geralmente, bem diferentes do que vemos nas igrejas cristãs mais tradicionais.
Recentemente, em uma entrevista para o site Curitiba Gospel, o pastor da Comunidade deu uma explicação sobre a fusão entre o "mundo underground" e o Evangelho em sua igreja:

"A fusão acontece naturalmente uma vez que viemos desse meio. Nós somos roqueiros que se converteram a Cristo. Portanto, não estamos nos fazendo de loucos para ganhar os loucos. Nós somos loucos, rsrsrs... Os valores que permanecem são os mesmos universalmente aceitos pela fé cristã como absolutos de Deus. Diferenciamos apenas o que é cultura nociva à fé e a vida, daquilo que é cultura passiva e que não necessariamente agride a minha fé em Cristo. Nós acreditamos que a música Rock, roupa preta, piercings, tatuagens, cabelos compridos, etc, não agridem nossa fé. Não há nenhuma imposição cultural sobre os membros da comunidade. Ninguém é obrigado a nada neste aspecto. Agora, quando estamos falando de absolutos na ética cristã, o assunto é outro. E, portanto, funcionamos como qualquer outra igreja neste mundo funciona. Não negociamos valores cristãos!"



A Comunidade Gólgota realiza seus cultos todos os domingos às 18:00 horas e aos sábados realiza eventos e shows.
Confira a agenda através do site www.comunidade.golgota.org !
O endereço é Av. Visconde de guarapuava 2425 - fundos. Bem no centro de Curitiba!
Além do site, também é possivel acompanhar a programação através do Metal Cast, pod cast que contém desde o testemunho completo do pastor Pipe até as mensagens dos cultos.
Fica também a dica para conhecer a comunidade no Orkut da igreja, lá rolam movimentados fóruns de discussão entre os membros e amigos da Comunidade sobre todos os assuntos, muitas vezes sobre os eventos que estão rolando por lá.

* Nos dias 4 e 5 de julho, acontecerá o evento Metanóia. E nos dias 30, 31 de julho e 1, 2 de agosto será o Congresso Nacional Underground Cristão (C.N.U.C.) . Veja os detalhes no site e PARTICIPE!!!

texto: Paolla Grisolli